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sexta-feira, 4 de abril de 2014

O papel do Engenheiro Geógrafo/Hidrógrafo na mitigação das alterações climáticas

As provas da influência da atividade humana nas alterações climáticas são inquestionáveis. Diversas organizações das Nações Unidas alertam para os problemas enfrentados por muitas regiões e encorajam a criação de leis, políticas, estratégias e acções para proteger os direitos das populações afetadas pelas alterações climáticas. Onde se encaixam os engenheiros geógrafos/hidrógrafos nesta realidade? Que conhecimentos específicos têm estes profissionais para ajudar a comunidade global?
•Medição e monitorização de alterações: como resultado dos seus conhecimentos para a realização de medições espaciais, o Engenheiro Geógrafo/Hidrógrafo é estreitamente envolvido na monitorização de alterações espaciais. Normalmente, estas são determinadas em relação a um sistema de coordenada (ou de referência), sistema provavelmente também estabelecido por estes profissionais. Como qualquer sistema de referência, a sua estabilidade a longo prazo (ou, alternativamente, um conhecimento exato do movimento do sistema em relação ao tempo), é crucial para que os dados fornecidos pelos sistemas de monitorização globais possam ser interpretados corretamente.
Mas a nível local o contributo é também importante pois importa assegurar a estabilidade dos marégrafos através da sua monitorização em relação a um conjunto de referências estáveis.
• Análise e integração de dados: uma peça importante em qualquer análise sobre alterações climáticas são os cenários “e se”, sendo que esta análise recorre frequentemente a Sistemas de Informação Geográfica (SIG). É então necessário assegurar não só que a informação que vai integrar os SIG é coerente, de qualidade, nomeadamente que está num mesmo referencial, mas também que as ferramentas disponibilizadas pelos SIG são capazes de efetuar as necessárias análises.
• Mitigação e adaptação: as medidas de mitigação dos efeitos das alterações climáticas onde os engenheiros geógrafos/hidrógrafos podem intervir: áreas urbanas/agregados populacionais: levantamento da malha urbana, questões de posse de terra, orientação das construções (maximizar a utilização de fontes de energia renováveis); áreas periurbanas (áreas de rápida urbanização, normalmente fortemente influenciadas pela migração rural-urbana): utilização de ferramentas espaciais de planeamento,novas abordagens para a resolução das questões de posse de terra; áreas rurais, incluindo zonas de pesca e extração de minérios (zonas em regressão por expansão das áreas urbanas): avaliar as áreas e uso do solo, colaborar na implementação de novas técnicas que permitam aumentar a produtividade agrícola (exp., agricultura de precisão com uso de GPS). Governação responsável . O papel do Engenheiro Geógrafo/Hidrógrafo
No topo da lista das mais importantes questões relacionadas com o meio ambiente num contexto global, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) coloca a necessidade de haver um enquadramento dos procedimentos da governação com os desafios da sustentabilidade global. Tal envolve implementar processos de governação e administrativos ambientais que sejam representativos, responsáveis, eficazes e transparentes.
• Medição e cartografia: a Terra e o Mar são dois componentes cruciais do ambiente global. No mundo moderno, o primeiro passo para a governação sustentável de um recurso é compreender as características ambientais destes recursos assim como a sua dimensão espacial. Neste contexto, é o Engenheiro Geógrafo/Hidrógrafo que realiza as medições que determinam as dimensões e a topografia quer da Terra quer do fundo do Mar. É também este que integra estes dados num SIG, o qual permite que sejam visualizados em formato digital, elemento basilar numa gestão e governação sustentáveis.
• Administração e governação: as Diretrizes Voluntárias para a Governação Responsável da Posse da Terra, Pescas e Florestas no Contexto da Segurança Alimentar Nacional (FAO) definem os princípios e práticas que podem servir de referência para os Governos na elaboração das leis e na administração dos direitos relativos à terra, pesca e florestas. Esta governação: i) reconhece e respeita os proprietários legítimos e os seus direitos; ii) protege todos os titulares desses direitos contra ameaças e infrações; iii) promove e facilita o uso e a fruição desses direitos. Entre outras coisas, os Estados são encorajados a promover a recolha e manutenção de informação atualizada sobre a terra, recursos pesqueiros e florestas e a fazê-lo para que os direitos sobre a propriedade sejam transparentes. No ponto 17 do documento das Diretrizes Voluntárias está recomendado que “os Estados devem proporcionar sistemas (tais como registo, cadastro e sistemas de licenciamento) para o registo dos direitos de posse individual e coletiva a fim de melhorar a segurança destes direitos”. Na sua essência, estas tarefas caem diretamente dentro do domínio profissional do Engenheiro Geógrafo/Hidrógrafo.
• Ordenamento do território: na lista anteriormente referida, elaborada pelo PNUMA, o tema colocada em 11. º lugar está relacionado com a necessidade de aumentar a resiliência e sustentabilidade urbana. A chave para tal sustentabilidade encontra-se no conceito de cidades “verdes” ou “eco-cidades”que diferem das cidades convencionais porque“têm uma combinação vital de usos da terra dentro de suas fronteiras, produzem energia renovável e proporcionam oportunidades de transporte de baixo consumo”. É claro que o projeto de tais cidades exigirá equipas pluridisciplinares, sendo que o Engenheiro Geógrafo/Hidrógrafo deverá ser um dos elementos integrantes. Já o artigo “Coastal regions vital for economy”chama a atenção para uma recente proposta da Comissão Europeia no sentido do estabelecimento de um quadro para uma gestão costeira integrada e para o “planeamento espacial marítimo” de forma a obter-se uma melhor gestão de reivindicações divergentes e dos recursos marítimos. Neste quadro, os planos e as estratégias exigirão dados de elevada qualidade para avaliar a saúde do meio ambiente costeiro. A falta de uma garantia de qualidade de dados espaciais dificulta uma gestão eficaz, pelo que os Estados-membros da União Europeia terão de fazer um esforço para harmonizar os seus dados e torná-los consistentes com os dados reportados por outros países. (Também neste domínio, e à semelhança do artigo anterior, terão que ser criadas equipas pluridisciplinares, que integrem engenheiro geógrafos/engenheiros hidrógrafos capazes de assegurar a harmonização e consistência de dados).

Por Colégio Nacional de Engenharia Geográfica

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